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Contratação do cartão de crédito consignado meutudo

Year2025
CategoryUX Research
CompanyMeutudo
Image

Contexto

A Meutudo é uma fintech brasileira que oferece acesso digital a crédito, com foco principal em crédito consignado, antecipação do FGTS e serviços financeiros para trabalhadores e aposentados.

+ 19 milhões de clientes em todo o país
+R$ 20 bilhões em empréstimos originados

Após ingressar no time de produto INSS da Meutudo em 2024, fui designado para liderar o design do Cartão de Crédito Consignado, um novo produto voltado para aposentados e pensionistas. O cartão oferecia diversos benefícios, incluindo saque do limite de crédito, cashback, seguro de vida, descontos em farmácias e taxas de juros significativamente menores do que as de cartões de crédito tradicionais.

A iniciativa fazia parte da estratégia da Meutudo de expandir seu portfólio de produtos, alcançar novos segmentos de clientes e fortalecer sua competitividade no mercado de serviços financeiros.

Meu papel

Design lead — responsável por conduzir todas as atividades de design. Colaborei com a squad Cartões INSS, um grupo multidisciplinar composto por 7 integrantes das áreas de negócios e engenharia.


O problema

Durante uma análise do funil de contratação da jornada de cartões, foi identificada uma queda expressiva na etapa de simulação, ponto em que o usuário visualiza as condições do produto antes de confirmar a contratação.

Ao comparar os dados semanais, observou-se que entre 70% e 83% dos usuários ativos não avançavam para a etapa de simulação, a depender da semana analisada. Esse comportamento se mostrou consistente ao longo das semanas, sugerindo um problema estrutural na jornada, e não um evento pontual.

jornada atual

Jornada atual

 

As hipóteses levantadas para explicar essa queda foram:

  • Fricção na entrada da simulação — a etapa pode exigir informações ou permissões que geram abandono antes mesmo de o usuário visualizar uma oferta;
  • Desalinhamento de expectativa — usuários podem chegar à jornada sem intenção real de contratar, inflando o topo do funil sem conversão correspondente;
  • Problemas técnicos ou de usabilidade — erros silenciosos ou uma experiência confusa podem estar impedindo o avanço sem que o usuário sinalize a dificuldade.

 

Mapeamento de comportamento

Com os dados de queda do funil em mãos, o próximo passo foi entender o que estava acontecendo na jornada do ponto de vista do usuário. Para isso, utilizei o Amplitude, ferramenta de analytics adotada pelo time, por meio da funcionalidade Session Replay, que permite acompanhar, de forma anônima e aleatória, a navegação real de usuários em jornadas selecionadas.

 session replay

O mapeamento foi realizado com 57 usuários ao longo de uma semana, avaliando quatro dimensões de comportamento:

  • Se o cliente já possuía o cartão
  • Contratou o cartão ao final da jornada
  • Etapa em que finalizou a contratação
  • Ocorreu algum erro durante a contratação

1

semana de mapeamento

57

clientes

19%

cartões contratados

2

erros mapeados

10%

Já possuíam o cartão

14%

desistiram no resumo

36%

desistiram na formalização

19%

Session replay finalizou sem resposta

Os resultados revelaram que cerca de 50% dos usuários que iniciaram a contratação abandonaram o fluxo em duas etapas críticas: a tela de resumo, onde o usuário tem acesso às informações do cartão e aos termos do contrato e a etapa de biometria, validação regulatória obrigatória para conclusão da contratação.

Esse dado direcionou a investigação para essas duas etapas específicas, apontando onde a experiência precisava de atenção e ajudou a traçar os próximos passos.

 

Solução de design

Com os pontos críticos identificados, direcionei os esforços para as duas etapas de maior abandono.

A etapa de biometria, por estar sob governança de outro time, foi tratada de forma colaborativa: realizei uma reunião com os responsáveis para repassar os achados, alinhar os pontos mais críticos, mapear possíveis soluções e definir os próximos passos em conjunto.

Já a etapa de resumo, diretamente ligada à landing page de contratação, ficou sob minha responsabilidade. Para garantir a melhor solução para o usuário, desenvolvi 3 variações da tela e, antes de levá-las ao teste, conduzi um critique com os designers da companhia — sessão que trouxe pontos de atenção e comentários pontuais que permitiram refinar as variantes antes da validação com clientes. Essa etapa garantiu que a decisão de qual caminho seguir fosse embasada em comportamento real, e não em suposição.

critique

Teste de usabilidade

Para definir qual versão da landing page seguiríamos, conduzi um teste comparativo quantitativo via Maze com clientes reais. O teste foi enviado para uma base de 15.000 clientes que haviam tido a oportunidade de contratar o cartão nos últimos 30 dias, por meio de 12.093 e-mails e 12.000 SMS. Ao todo, 111 usuários iniciaram o teste, que foi realizado de forma não moderada.

Foram apresentadas 3 variações da landing page do Cartão de Crédito Consignado — Abas (X), Carrossel (Y) e Lista (Z, versão atual no app) — exibidas aleatoriamente a cada participante, que podia navegar livremente por cada uma antes de responder perguntas sobre compreensão, usabilidade e interesse.

Image
Variant X

Tabs

Design hypotesis

Organizing content into named sections, Advantages, How to use, Rates, would let users navigate directly to what matters most to them, reducing cognitive overload by revealing one category at a time.

Pros

  • Familiar pattern widely used in financial apps
  • Allows users to self-direct and skip irrelevant content
  • Keeps the screen clean and less overwhelming
  • Supports users with specific questions (e.g. rates)
Image
Variant Y

Carousel

Design hypotesis

A horizontal card carousel would present each benefit as a self-contained, scannable unit, encouraging progressive exploration without requiring the user to tap through tabs or scroll a long list.

Pros

  • Each card focuses on a single benefit, reducing distraction
  • Swipe gesture is intuitive for mobile-first users
  • Visual hierarchy draws attention to the key differentiators
  • Encourages exploration without hiding information behind interactions
Image
Variant Z - Current version

List

Design hypotesis

A straightforward vertical list of benefits, the existing production version, would serve as the baseline. The hypothesis was that displaying all benefits at once without interaction might be the clearest format for older audiences.

Pros

  • No interactions required, everything visible on scroll
  • Works well for users who prefer reading top to bottom
  • Proven pattern, already live in production
  • Easier to scan all benefits in a single glance

Os resultados apontaram o Carrossel como a variante preferida em todos os critérios avaliados:

Result

The version chosen by customers

Based on quantitative scores and qualitative feedback, the Carousel (Variant Y) was the most effective design. It led across every dimension: comprehension, usability, purchase intent, and perceived information quality.

Image
  • Compreensão do produto: nota 4,3 vs 4,0 das demais variantes
  • Facilidade de uso: nota 4,4, a maior entre as três
  • Intenção de contratar: nota 4,5, também superior às concorrentes
  • Suficiência de informações: 91% dos usuários consideraram as informações suficientes, contra 85% da Lista e 67% das Abas

Com base nesses dados, a variante Carrossel foi definida como a direção a ser implementada na jornada de contratação.

Mais informações sobre o teste estão nesse link

 

Insights do teste

Além da escolha da variante, o teste gerou aprendizados relevantes sobre dúvidas recorrentes dos usuários, especialmente em relação ao mecanismo de desconto do cartão consignado. Esses insights precisam ser traduzidos em melhorias pontuais de copy e hierarquia de informação, garantindo que a nova landing page contemple não apenas a preferência de layout, mas também as lacunas de entendimento identificadas.

 

Impacto do design no negócio

O feedback dos clientes teve papel central nesse processo, não apenas como validação de preferência, mas como insumo direto para a formulação de requisitos e diretrizes de produto. Ao trazer a voz do usuário para a tomada de decisão, o projeto demonstrou na prática o valor de um processo de design centrado no ser humano: decisões mais embasadas, menor risco de retrabalho e uma experiência final que equilibra as necessidades do usuário com os objetivos do negócio.

 

Próximos passos e iterações futuras

Para acompanhar o sucesso do projeto após a implementação e identificar oportunidades de melhoria contínua, propus os seguintes passos:

Monitoramento de métricas — acompanhamento do funil de contratação com foco nas etapas críticas identificadas, especialmente a biometria e o resumo; análise de padrões de uso e pontos de abandono via Amplitude; e monitoramento de feedbacks de clientes coletados em plataformas de atendimento e NPS para capturar sinais qualitativos que os dados sozinhos não revelam.

Escuta contínua do usuário — realização de entrevistas com clientes para identificar novas fricções após a mudança; pesquisas periódicas para medir adoção, qualidade percebida e satisfação com a jornada de contratação; e testes A/B para validar hipóteses de melhoria de forma incremental, mantendo o processo de decisão baseado em evidências.

 

 

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